Uma nota do cirurgião
Porque escrevi este guia
Quando um homem é diagnosticado com cancro da próstata, a primeira pergunta não deveria ser onde ser operado, mas se deve ser operado. Este guia começa por aí: que alternativas existem e em que casos a cirurgia faz sentido.
Se a cirurgia for a opção adequada, a técnica importa. Aprendi a abordagem lateral com o seu criador, o Dr. Richard Gastón, que há dezassete anos vem operar ao ICUA e continua a fazê-lo. Em 2023 publicámos juntos os resultados de ambos: não houve grandes diferenças entre os dele e os meus.
Se vier a Madrid para ser operado seguindo este guia, serei eu a operá-lo, com a minha equipa do ICUA.
Quando apresento um número, digo-lhe de onde vem e a que doentes se refere. Os números são de grupos de doentes; nenhum descreve ainda o seu caso.
Dr. Fernando Gómez Sancha · Urologista, Madrid
Se tem um sintoma urgente neste momento
Não consegue urinar, sangra muito ou com coágulos, tem febre, dor no peito, falta de ar, uma perna inchada ou está confuso: dirija-se ao serviço de urgência da sua área. Não me envie um email, vá a um hospital.
Comece aqui
Numa frase
A prostatectomia radical remove a próstata inteira com o tumor lá dentro. Com a abordagem lateral, o robô chega à próstata por um lado, através de uma pequena janela, sem desmontar a estrutura que a sustenta à frente: o complexo pubovesical anterior.
Dito de outra forma
Retira-se o que tem de ser retirado e toca-se o mínimo possível no que serve para controlar a urina e conservar a ereção.
Antes de tomar uma decisão
Operar ou não?
Nem todos os cancros da próstata precisam de tratamento imediato, e a cirurgia não é a única opção. A decisão depende do risco do tumor, da sua idade e estado de saúde, e do que é mais importante para si. Antes de falar de técnica, convém ter claras estas três coisas.
1. Que o diagnóstico esteja completo
Para decidir bem é preciso saber quanto tumor existe, quão agressivo é e se está confinado à próstata. Normalmente isso significa:
- Biópsia com o grupo ISUP (de 1 a 5, do menos ao mais agressivo) e quantas amostras tinham tumor. De preferência guiada por ressonância magnética.
- Ressonância magnética multiparamétrica da próstata. Além de ajudar no diagnóstico, diz-me onde está o tumor e se se aproxima dos nervos da ereção.
- Estudo de estadiamento se o risco for intermédio desfavorável ou alto: PET-PSMA, ou TAC e cintigrafia óssea, conforme o que estiver disponível.
| Gleason | Grupo ISUP |
|---|---|
| 6 (3+3) | 1 |
| 7 (3+4) | 2 |
| 7 (4+3) | 3 |
| 8 (4+4, 3+5 ou 5+3) | 4 |
| 9 ou 10 | 5 |
O grupo ISUP indica a agressividade do tumor, mas não o risco por si só: para classificar o risco têm-se também em conta o PSA e o que se observa no exame físico e na ressonância magnética.
Se faltar alguma coisa, dir-lho-emos ao avaliar o seu caso. Por vezes pode ser completado em Madrid antes da cirurgia.
2. Conhecer as alternativas
| Opção | Para quem costuma ser | O que implica | O que mais pesa |
|---|---|---|---|
| Vigilância ativa | Tumores de baixo risco e alguns de risco intermédio favorável. | Não se trata de imediato. Controla-se com PSA, ressonância magnética e novas biópsias, e só se trata se o tumor mudar. | Evita ou adia os efeitos secundários do tratamento. Exige regularidade nos controlos. |
| Prostatectomia radical | Tumores localizados de risco intermédio ou alto, em homens com boa saúde e uma esperança de vida longa. | Removem-se a próstata e as vesículas seminais e estuda-se a peça inteira. | No início, perdas de urina e pior ereção, que melhoram ao longo de meses. Se depois for necessária radioterapia, continua a ser possível. |
| Radioterapia externa ou braquiterapia | Risco intermédio ou alto, e homens em quem a cirurgia é menos adequada. | Sessões durante várias semanas, ou sementes radioativas. No risco intermédio ou alto costuma associar-se a tratamento hormonal temporário. | Sintomas urinários e intestinais; a ereção tende a piorar de forma progressiva. Operar depois de uma radioterapia é mais difícil. |
| Tratamento focal | Casos muito selecionados, com um tumor pequeno e bem localizado. | Trata-se apenas a zona do tumor, por exemplo com ultrassons focalizados (HIFU). | Menos efeitos secundários, mas com menos seguimento a longo prazo e mais necessidade de controlos. |
Nos grandes estudos que compararam cirurgia, radioterapia e vigilância em tumores localizados, a sobrevivência foi muito semelhante a longo prazo. O que muda entre umas opções e outras é o tipo de efeitos secundários e a forma como a doença é acompanhada. Por isso a pergunta não é apenas «o que cura mais», mas «o que se adapta melhor ao meu tumor e à minha vida».
3. Que alguém lhe tenha falado de todas
Recomendo que, antes de decidir, tenha falado também com um radio-oncologista, no seu país ou aqui. Se depois disso a cirurgia for a sua opção, neste guia explico-lhe como a faço.
A técnica
O que é a abordagem lateral
Na técnica mais difundida, o cirurgião chega à próstata pela frente. Na abordagem lateral, desenvolvida pelo Dr. Gastón, entra-se por um dos lados da próstata, com acesso direto às vesículas seminais.
- Conservam-se intactos o complexo pubovesical anterior, que sustenta à frente a bexiga e a uretra como um andaime, e o plexo de Santorini, uma rede de veias que cobre a próstata à frente.
- As estruturas vasculares e nervosas junto à próstata são dissecadas com o mínimo uso de energia térmica.
- Na nossa série, a abordagem lateral pôde ser realizada em 90,5% dos meus doentes. Nos restantes, devido às características do tumor, da próstata ou do doente, utilizou-se outra via.
Reportagem · EFE Salud
Remover a próstata para eliminar o cancro
Reportagem da agência EFE sobre a prostatectomia radical robótica. Se só vai ver um vídeo, recomendo este. Ver no YouTube.
Aviso: contém imagens reais da próstata removida.
Televisão · La 1 de TVE
O robô cirúrgico, explicado na televisão
Entrevista no programa «La mañana» da La 1 de TVE sobre a cirurgia robótica. Ver no YouTube.
Cirurgião: Dr. Gómez Sancha
Assim opero com a abordagem lateral
Prostatectomia radical robótica segundo a técnica de Gastón, gravada no ICUA. Ver no YouTube.
Aviso: vídeo cirúrgico, com imagens reais do interior do corpo durante a operação. Veja-o apenas se quiser conhecer o pormenor.
Cirurgião: Dr. Gastón · Ajudante: Dr. Rodríguez Socarrás
Cirurgia transcontinental: o cirurgião na Europa e o doente na China
Prostatectomia robótica à distância, com entrevista do Dr. Gómez Sancha a ambos os cirurgiões. Ver no YouTube.
É uma demonstração de até onde chega a tecnologia. A sua operação em Madrid não é à distância: o cirurgião está no mesmo bloco operatório que o senhor.
Porque é que a abordagem lateral protege melhor os nervos da ereção
Esquemas simplificados, sem escala.
2Via convencional, vista em corte. Os nervos não são apenas dois cordões posteriores (as bandeletes): formam um véu de fibras à volta da próstata, e as da frente dirigem-se aos corpos cavernosos. Ao trabalhar pela frente, a próstata sai para cima levando agarrados o plexo de Santorini e essas fibras anteriores (em cima, à direita); conservam-se as posteriores. 3Abordagem lateral. Entra-se pela face anterolateral e a dissecção avança encostada à cápsula da próstata, por dentro do véu de nervos. O plexo de Santorini e as fibras anteriores não são tocados. 4No fim. A próstata sai do seu leito por essa mesma janela anterolateral e o anel de nervos e vasos fica completo. O quanto se pode preservar depende sempre da extensão do tumor, que é avaliada antes e durante a operação.
Resultados
O que dizem os nossos resultados publicados
São os meus 224 doentes operados com abordagem lateral entre janeiro de 2015 e março de 2021, com um seguimento médio de cerca de 4,7 anos1. Resultados do centro
Como ler estes números
Contam apenas os doentes em quem foi possível realizar a abordagem lateral. Quem precisou de radioterapia depois não entra no número da continência, e quem já tinha disfunção erétil antes da operação não entra no da ereção.
Uma margem positiva não equivale a que o cancro volte. Em 37,9% houve alguma margem positiva, quase sempre focal; a que mais pesa no prognóstico é a significativa.
Outras comunicações do nosso grupo, com definições diferentes, apresentam números diferentes. Aqui usamos o estudo completo publicado.
| Indicador | Dr. Gastón (n = 289) | Dr. Gómez Sancha (n = 224) |
|---|---|---|
| Continência ao retirar a algália | 86% | 85% |
| Continência ao fim de um ano | 96% | 98% |
| Ereção ao fim de um ano | 73% | 72% |
| Margem significativa (> 2 mm) | 5,9% | 7,6% |
| Recidiva bioquímica | 11,7% | 12,0% |
Viajar para Madrid
O percurso, passo a passo
Escreve para icua@icua.es sem anexos e envia os relatórios por SwissTransfer, com palavra-passe.
Biópsia com grupo ISUP, ressonância magnética, PSA e estudo de estadiamento, se o tiver feito.
A equipa verifica se a documentação está completa e avaliamos se a cirurgia é razoável.
Não compre bilhetes antes de ter datas provisórias.
Consulta, avaliação pré-operatória, cirurgia e internamento de 2 a 3 dias.
Pode ficar até lhe retirarmos a algália, entre os dias 7 e 10, ou voltar para casa com ela. Explicamos mais abaixo.
Anatomia patológica, PSA e seguimento com o seu urologista, a quem enviamos um relatório completo.
Se depois for necessária radioterapia, normalmente será feita no seu país.
Sair do hospital com algália
Depois da operação terá uma algália durante alguns dias, enquanto cicatriza a junção entre a bexiga e a uretra. Sai do hospital com ela, ligada a um saco pequeno preso à perna, por baixo das calças.
Há duas opções:
- Ficar em Madrid até lhe retirarmos a algália, entre os dias 7 e 10, e verificar como urina antes de regressar.
- Voltar para casa com a algália e ser o seu urologista a retirá-la na data que lhe indicarmos. Viajar com a algália fixada à perna é bastante seguro.
Antes da alta ensinamos-lhe a lidar com ela e damos-lhe o necessário:
- O saco sempre abaixo da bexiga, e a algália fixada à coxa para não puxar.
- Esvazie-o quando estiver a meio, antes de uma viagem longa e antes de embarcar.
- À noite liga-se um saco maior.
- Beba água regularmente. No avião, de preferência lugar de corredor.
- Leve na bagagem de mão sacos de substituição e o relatório de alta com a data de retirada.
Alguns homens, sobretudo os mais jovens, têm ereções noturnas já nos dias em que estão algaliados. Podem ser incómodas, mas são normais e não é preciso fazer nada. Quando os nervos foram conservados, costumam ser um bom sinal.
Quando procurar ajuda urgente
Se deixar de sair urina e notar a barriga inchada ou dor, se tiver febre ou arrepios, se sangrar muito ou com coágulos, ou se a algália sair: dirija-se ao serviço de urgência da sua área.
Organizar a estadia
Viajar para ser operado levanta dúvidas que uma explicação técnica não resolve: que relatórios enviar, quanto tempo ficar, quando é seguro voar, quem o ajuda se algo acontecer já em casa. É assim que organizamos uma cirurgia para doentes de fora de Espanha. Não é um pacote fechado, e não substitui um plano pensado para si.
Opção A
Ficar até retirar a algália
Entre 10 e 12 dias em Madrid
Chega um ou dois dias antes da cirurgia, o internamento dura de 2 a 3 dias e a algália é retirada entre os dias 7 e 10. Verificamos como urina antes de voltar para casa.
A ter em conta: mais dias de alojamento.
Opção B
Voltar para casa com a algália
Cerca de 4 ou 5 dias em Madrid
Chega um ou dois dias antes da cirurgia e pode voar assim que lhe dermos alta, aos 2 ou 3 dias, com a algália fixada à perna. O seu urologista retira-a na data que lhe indicarmos.
A ter em conta: é preciso combinar antes a consulta com o seu urologista.
Comece em casa: os exercícios do pavimento pélvico
A continência recupera-se mais cedo se o músculo que fecha a uretra estiver treinado. O ideal é começar algumas semanas antes da operação, porque fazê-lo bem não é tão fácil como parece: muitos homens contraem as nádegas, o abdómen ou as coxas em vez do pavimento pélvico.
- Para localizar o músculo, imagine que está a reter um gás ou a interromper o jato de urina. Use isto apenas para o identificar: não pratique interrompendo realmente o jato.
- Contraia sem mexer as nádegas nem suster a respiração, mantenha alguns segundos e relaxe por completo.
- Se tiver acesso a um fisioterapeuta especializado em pavimento pélvico, uma ou duas sessões antes da operação vão ajudá-lo a fazê-lo bem.
Em Madrid revemos isto consigo antes da cirurgia.
Envie a informação correta
Relatório da biópsia com o grupo ISUP e o número de amostras com tumor · ressonância magnética multiparamétrica (relatório e, se possível, as imagens) · histórico de PSA · estudo de estadiamento, se o tiver feito · medicação e alergias, sobretudo anticoagulantes e antiagregantes · doenças relevantes e problemas com anestesias anteriores · cirurgias anteriores ao abdómen, hérnias ou tratamentos à próstata · como urina e como são as suas ereções atualmente · o que é prioritário para si.
Não envie relatórios por email normal nem pelas redes sociais. Na secção de avaliação do caso explico-lhe como fazê-lo de forma segura.
Avaliação inicial e consulta
Primeiro verificamos se a documentação está completa. Depois avalio se a cirurgia é razoável no seu caso e se falta algum exame. Esta primeira apreciação é orientadora, não é um diagnóstico, e fica abrangida pelo sigilo profissional.
Da consulta deve sair com: se a cirurgia é uma boa opção face às alternativas, o que espero poder fazer com os nervos da ereção, se será preciso remover gânglios, um orçamento por escrito e o tempo estimado em Madrid.
Organize a viagem
Não compre bilhetes não reembolsáveis antes de confirmarmos datas provisórias. Se ficar até à retirada da algália, conte com 10 a 12 dias em Madrid; se voltar para casa com ela, com cerca de 4 ou 5 dias.
Tenha em conta: um acompanhante, pelo menos nos primeiros dias · alojamento perto da clínica e com elevador · a sua medicação habitual · os limites do seu seguro para cirurgia programada fora do seu país · pensos para incontinência para os dias a seguir à retirada da algália · margem para o caso de o internamento se prolongar.
Avaliação presencial em Madrid
Um ou dois dias antes da cirurgia revemos os seus exames, fazemos a avaliação pré-operatória e assinamos o consentimento informado. Falamos com calma sobre que nervos espero conservar, sobre a continência e a ereção, sobre como gerir os anticoagulantes e sobre o que aconteceria se no bloco operatório surgisse algo inesperado.
Revemos consigo os exercícios do pavimento pélvico, para confirmar que os faz corretamente.
Cirurgia e internamento
O internamento costuma ser de 2 a 3 dias. Antes da alta recebe: relatório de alta · instruções sobre a algália e a medicação · meias de compressão e heparina injetável durante um mês, para prevenir tromboses · sinais de alarme e um contacto de urgência 24 horas por dia · quando estará disponível a anatomia patológica.
Recuperação em Madrid
É normal sentir cansaço, desconforto nas pequenas incisões do abdómen, dor nos ombros nos primeiros dias devido ao gás da laparoscopia, algum inchaço no escroto ou no pénis, e algum sangue na urina ou à volta da algália ao evacuar.
Somos nós que decidimos quando pode deixar Madrid: uma data de voo já comprada não deve pesar mais do que uma febre, uma hemorragia ou um problema com a algália.
Retirada da algália e voo de regresso
Ao retirar a algália é normal perder alguma urina, sobretudo ao tossir ou ao levantar-se. Continue os exercícios do pavimento pélvico e use pensos.
Para voar, sobretudo em voos longos: beba água, levante-se e caminhe de hora a hora, use as meias de compressão e não deixe de fazer a injeção de heparina. Medicação, relatórios e contactos de emergência, na bagagem de mão.
Seguimento já em casa
Não termina quando embarca. Quando a anatomia patológica estiver pronta, explico-lha numa videoconsulta. O primeiro PSA faz-se às seis semanas e deve ser indetetável. Acompanhamos juntos a continência e a ereção nos primeiros meses.
Com o seu consentimento, enviamos um relatório completo ao seu urologista de origem, que será quem o acompanhará de perto.
Depois da operação
Como é o relatório de anatomia patológica
Algumas semanas depois da operação chega o relatório de anatomia patológica: o estudo da próstata inteira ao microscópio. É o documento mais importante do seguimento, porque diz como era realmente o tumor, e nem sempre coincide com o que mostravam a biópsia e a ressonância magnética. Vou explicá-lo numa videoconsulta, mas convém que saiba o que vai encontrar nele.
O mapa do tumor
O patologista corta a próstata inteira em fatias, do ápex (a ponta, junto ao esfíncter) à base (junto à bexiga), e estuda cada fatia completa ao microscópio. Assim consegue desenhar onde está o tumor e medir a que distância chega do bordo. Estas imagens são de um relatório real, anonimizado. Nos esquemas, o lado direito do doente aparece à esquerda da imagem, como numa TAC.
AB
CD
EF- AO ápex, cortado em lâminas. É a zona mais delicada para a continência, e o patologista estuda-a em separado com especial cuidado.
- BUma fatia completa. Em cima está a face anterior e em baixo a posterior, junto ao reto. As linhas de cor rodeiam os focos de tumor; quando há mais do que um, cada foco tem a sua cor.
- CA ampliação. Antes de a cortar, toda a superfície da próstata é pintada com tinta. Ao microscópio mede-se a distância entre o tumor e essa tinta, que é o bordo da peça. Essa medida decide se a margem é positiva ou negativa.
- DOutra fatia, mais perto da base. Seguindo as fatias vê-se como muda o tamanho de cada foco ao longo da próstata.
- EO mapa de conjunto. Reúne todas as fatias num só desenho e mostra onde está cada foco, com as vesículas seminais em baixo.
- FA próstata vista de lado. Ajuda a perceber a que altura e em que face está cada foco.
O que diz o texto
Além das imagens, o relatório tem uma descrição e um diagnóstico. Estas são as secções que convém compreender.
- 1Material e descrição. O que foi estudado (a próstata com as vesículas seminais e, se tiverem sido removidos, os gânglios), quanto mede e quanto pesa. O peso é o da próstata, não o do tumor.
- 2Gleason e grupo ISUP: a agressividade. O Gleason soma os dois padrões mais frequentes do tumor, cada um de 3 a 5. Hoje resume-se no grupo ISUP, de 1 (o menos agressivo) a 5. Se houver vários focos, descreve-se cada um, e o prognóstico é determinado pelo mais agressivo. Não é raro que o grau da peça seja diferente do da biópsia.
- 3Margens. Se o tumor toca a tinta, a margem é positiva; se não, é negativa, e por vezes indica-se a que distância fica. Uma margem positiva não significa necessariamente que fique tumor: explicamo-lo nas perguntas frequentes.
- 4Extensão para fora da próstata. Indica se o tumor atravessou a cápsula que a envolve e se atinge as vesículas seminais.
- 5Invasão perineural e vascular. A perineural (o tumor cresce ao longo de pequenos nervos dentro da próstata) é frequente e não significa que tenha saído dela.
- 6Gânglios. Quantos foram estudados e se algum tem tumor.
- 7O estádio pTN. O resumo final. O «p» indica que se baseia na peça operatória. pT2: o tumor está dentro da próstata. pT3a: saiu dela de forma limitada. pT3b: atinge as vesículas seminais. N0: gânglios sem tumor; N1: algum gânglio atingido.
E depois?
O relatório, juntamente com o PSA às seis semanas, que deve ser indetetável, define o seguimento. Na maioria dos casos basta vigiar o PSA. Quando o tumor é mais agressivo ou saiu da próstata, falaremos sobre se convém vigiar de perto ou acrescentar radioterapia. Vamos rever juntos o seu relatório.
Perguntas
Perguntas frequentes
Quem me vai operar?
Eu, o Dr. Gómez Sancha, com a minha equipa do ICUA. Aprendi a técnica com o Dr. Gastón, que continua a vir a Madrid operar.
Quanto tempo vou ficar com a algália?
Na nossa série foi retirada entre os dias 7 e 10 após a operação.
Vou recuperar a ereção?
É a pergunta que mais pesa para muitos homens, e a resposta depende sobretudo de três coisas: como eram as suas ereções antes da operação, a sua idade e se é possível conservar os nervos da ereção, que estão encostados à próstata de ambos os lados.
Conservar esses nervos depende do tumor, não só da técnica. Se o cancro estiver perto deles, o primeiro objetivo é removê-lo por inteiro, e pode ser preciso sacrificar o nervo desse lado. Na minha série consegui conservar os dois em 73% dos doentes1. Falaremos disso antes da operação, com a sua ressonância magnética e a sua biópsia à frente.
A recuperação é lenta. Os nervos ressentem-se mesmo quando são conservados, e a ereção costuma ir voltando ao longo de meses, por vezes até um ou dois anos. Nos homens com boa função antes da operação, 66% conseguiam ter relações aos 3 meses e 72% ao fim de um ano, com ou sem comprimidos como o sildenafil ou o tadalafil1.
Entretanto, não se trata de esperar sem fazer nada. Mesmo que os nervos tenham sido conservados, a manipulação durante a operação deixa-os «atordoados» e durante semanas ou meses não transmitem bem os seus sinais. Para que o tecido do pénis não perca elasticidade nem irrigação enquanto recuperam, depois da operação indicamos um programa de reabilitação com tadalafil e uma bomba de vácuo. Explicar-lhe-emos como usá-los.
Se isso não for suficiente, há outras opções, como as injeções no pénis; se no final a ereção não recuperar, existe a prótese peniana.
Há coisas que mudam sempre, e é melhor sabê-las antes:
- Não haverá ejaculação. O orgasmo mantém-se, mas é seco, porque se removem a próstata e as vesículas seminais.
- Deixará de poder ter filhos de forma natural. Se isso for importante para si, é possível congelar sémen antes da operação.
- Alguns homens notam a perda de algumas gotas de urina com o orgasmo, ou que o pénis parece um pouco mais curto. Costuma melhorar com o tempo.
E se a margem for positiva?
É a primeira coisa que assusta ao ler o relatório, porque soa a «não tiraram tudo». Muitas vezes não é assim.
Pense em descascar uma laranja com uma faca fina, tentando não tocar nos gomos. Antes de a estudar, o patologista pinta com tinta toda a superfície da próstata, que seria a casca da laranja. Se encontrar células tumorais a tocar nessa tinta, a margem é positiva. Isso descreve a peça que está em cima da mesa, não o que fica dentro de si: pode ficar doença, mas também pode ser que o corte tenha passado pelo tumor e o resto tenha saído inteiro com a próstata. O relatório não permite distinguir.
O que permite distinguir é o PSA. Sem próstata, o PSA deve descer em poucas semanas até ficar indetetável. Se se mantiver assim, não há tecido prostático ativo; se voltar a subir, avisa-nos meses antes de surgir qualquer sintoma.
Por isso, com uma margem positiva, na maioria dos casos não se faz radioterapia de imediato. Três grandes ensaios compararam a radioterapia logo após a operação com vigiar o PSA e tratar cedo se subisse, e não concluíram que tratar de imediato fosse melhor4. Em contrapartida, causava mais problemas de continência, intestinais e de ereção. Com a vigilância, a maioria dos homens nunca chegou a precisar de radioterapia.
A vigilância funciona se for cumprida. Indicaremos quando fazer as análises de PSA e é importante não falhar nenhuma, mesmo que se sinta perfeitamente bem: a radioterapia de resgate funciona melhor quanto mais baixo estiver o PSA ao iniciar5.
Há situações diferentes, que discutimos caso a caso: se o PSA não chegar a ficar indetetável depois da operação, ou se o tumor era muito agressivo, invadia as vesículas seminais ou atingia os gânglios.
Na nossa série, a margem foi positiva em 37,9% dos casos, quase sempre focal, e significativa (mais de 2 mm) em 7,6%1.
Avaliação do caso
Se quiser que avaliemos o seu caso
Primeiro contacto
Escreva para icua@icua.es sem anexar documentos. A equipa responde em 24 a 48 horas e indica-lhe como enviar os relatórios de forma segura.
O que ter preparado
- Relatório da biópsia, com o grupo ISUP.
- Ressonância magnética multiparamétrica.
- Histórico de PSA.
- Medicação e doenças relevantes.
Para saber mais
Vídeos integrais da técnica e referências
Cirurgias completas, sem edição, gravadas no ICUA. Destinam-se a profissionais, mas também ao doente que queira ver a operação real.
Aviso: são vídeos cirúrgicos com imagens explícitas do interior do corpo.
Cirurgião: Dr. Gómez Sancha
Prostatectomia radical robótica segundo a técnica de Gastón
Abordagem lateral com preservação do complexo pubovesical anterior. Ver no YouTube.
Cirurgião: Dr. Gastón · Ajudante: Dr. Gómez Sancha
Prostatectomia radical robótica com acesso lateral
Cirurgia do criador da técnica no ICUA. Ver no YouTube.
Cirurgião: Dr. Gastón
Full length robotic radical prostatectomy, lateral approach
Cirurgia completa, sem cortes. Ver no YouTube.
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Referências
- Rodríguez Socarrás M, Gómez Rivas J, Reinoso Elbers J, et al. Robot-Assisted Radical Prostatectomy by Lateral Approach: Technique, Reproducibility and Outcomes. Cancers 2023;15:5442. doi:10.3390/cancers15225442
- Reinoso Elbers J, Rodríguez Socarrás M, et al. V12-06 Robot assisted radical prostatectomy by complete lateral access with preservation of the pubovesical complex. J Urol 2021;206(3S). Vídeo.
- Reinoso Elbers J, Rodríguez Socarrás M, et al. V07-08 Feasibility and clinical outcomes of robot-assisted radical prostatectomy by lateral approach. J Urol 2022;207(5S). Vídeo.
- Vale CL, et al. Adjuvant or early salvage radiotherapy for the treatment of localised and locally advanced prostate cancer: a prospectively planned systematic review and meta-analysis of aggregate data (ARTISTIC). Lancet 2020. doi. Ensaios incluídos: RADICALS-RT (Parker CC, et al. Lancet 2020; Ann Oncol 2024), RAVES (Kneebone A, et al. Lancet Oncol 2020) e GETUG-AFU 17 (Sargos P, et al. Lancet Oncol 2020).
- Tendulkar RD, et al. Contemporary update of a multi-institutional predictive nomogram for salvage radiotherapy after radical prostatectomy. J Clin Oncol 2016. doi